Construído de raiz e a pensar no futuro, as instalações do novo quartel dos Bombeiros Voluntários de Águas de Moura estão já concluídas e vão ser inauguradas no próximo dia 30. A concretização deste sonho, antigo, só foi possível devido ao esforço do presidente daquela associação e do seu actual comandante.

José Henrique Cardoso, presidente da Associação dos Bombeiros Voluntários de Águas de Moura e Rui Laranjeira, comandante dos referidos bombeiros, formaram a dupla ideal para levar por diante um sonho antigo: a construção de um quartel com o mínimo de condições, para os que ali trabalham, e operacional o bastante para que a assistência prestada fosse a melhor e a mais rápida possível.
A luta travada pelas novas instalações deram agora, 12 anos depois, os seus frutos e os bombeiros de Águas de Moura vão mudar-se, já no próximo dia 30, de um pequeníssimo edifício escolar – que ao longo dos anos foi sendo adaptado – para um amplo quartel, equipado com moderna tecnologia e em que a funcionalidade foi a principal preocupação.
José Cardoso referiu a «O Setubalense» que as novas instalações, que ocupam 2,5 hectares, foram projectadas pelo arquitecto Carlos Miguel Dias e estão construídas em terrenos situados junto à Estrada Nacional 10. O terreno foi doado, o loteamento foi aprovado e o processo seguiu os seus trâmites, tendo a cerimónia do lançamento da primeira pedra ocorrido em Setembro do ano passado.
Nas amplas instalações é notória a preocupação com a funcionalidade para as tarefas que ali vão ser desempenhadas, para além do aproveitamento, ao máximo possível, da luz natural. Com efeito, grande parte das instalações é construída com material transparente que deixa passar a luz do dia o que leva a uma considerável poupança de energia eléctrica.
Lá dentro, o amplo parque de viaturas está equipado com extractores de fumo para os veículos e correntes de energia eléctrica para carregamento dos mesmos, para além de mecanismos automáticos, em todos os portões, que permitem a sua rápida, e fácil, abertura. Aliás, o novo quartel dos Bombeiros Voluntários de Águas de Moura deverá ser um dos poucos, a nível nacional, a possuir este sistema, já que no recentemente inaugurado quartel de Sacavém, o maior da Península Ibérica, não apresenta este sistema e os portões do parque de viaturas têm que ser abertos manualmente.
Sobre esta área, situa-se a Sala de Comunicações e, no piso superior estão as restantes dependências, tais como o gabinete do comandante e a sala de reunião, de formação, as camaratas, masculinas e femininas – todos estes locais equipados com sanitários, nomeadamente para deficientes -, uma sala de lazer para os bombeiros, com uma cozinha para pequenas refeições, lavandaria e arrumos. As instalações estão ainda equipadas com painéis solares.
No exterior, e para além de um espaço ajardinado, equipado de forma a que os bombeiros possam fazer os seus exercícios físicos, existe a casa/escola (com 18,5 metros de altura, seis pisos e uma das melhores a nível nacional), um heliporto – com espaço que permite a presença de um outro helicóptero de apoio, uma bomba de abastecimento de gasóleo e as oficinas.
Para o comandante Rui Laranjeira, e em véspera da inauguração do novo quartel, o sonho está concretizado e as necessidades situam-se, neste momento, praticamente em duas necessidades: a substituição do actual autotanque táctico (a funcionar há 22 anos) e um veículo ligeiro de combate a incêndios que o comandante considera ser “o ideal para os pequenos incêndios que por vezes ocorrem nos 17 mil hectares que temos sob a nossa responsabilidade”. Por outro lado, ambos os dirigentes fazem questão em referir que “em caso de emergência este quartel está altamente equipado” e esperam que a Autoridade Nacional de Protecção Civil “utilize o investimento que fizemos aqui, porque não faz sentido nós termos criado todas estas condições e mandarem, por exemplo, o helicóptero do INEM para a base do Montijo”.
De referir que estes dois responsáveis fazem ainda questão em sublinhar “o esforço e o empenho de todos os bombeiros que, nas suas horas livres, estiveram sempre presentes para ajudar em tudo o que fosse necessário e este voluntariado só mostra que temos os melhores bombeiros”.